Uma pesquisa com usuários do serviço de saúde pública avaliou como baixa a qualidade do que é prestado em Santa Rosa. A grande demanda por atendimento na atenção básica, em postos do município, seria o fator causador desta percepção. Os dados resultam de um trabalho de conclusão do curso de Administração da Unijuí de Douglas Rafael Marques. O aluno entrevistou 127 usuários em unidades das zonas urbana e rural de Santa Rosa, nos meses de setembro e outubro. Os participantes avaliaram 36 atributos mencionando notas do mínimo que eles aceitariam pelo serviço, a nota que desejam e o que percebem do que é oferecido hoje.
O acadêmico optou pelo estudo por também ser usuário e teve o objetivo de fazer uma análise e propor melhorias. Segundo o orientador, Luciano Zamberlan, o método usado por Marques para mensurar os dados é adequado para avaliar a qualidade na prestação de serviços. A sistemática divide a pesquisa em confiabilidade, empatia, segurança, presteza e infraestrutura.
O índice geral ficou em 49, sendo que o mínimo aceitável pelos entrevistados é de 28 e o desejado, de 91. O estudante explica que a situação é tolerável pelo usuário, mas torna-se avaliada com a qualidade baixa na percepção deste, pois a análise está mais próxima do mínimo aceitável do que do nível que se quer. A pesquisa avalia desde o momento da fila de retirada de senha para a consulta até a saída da sala do médico. O aluno diz que, para o serviço ser de qualidade boa, os números indicados deveriam estar mais próximos daqueles desejados.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Methodus, divulgada neste mês, aponta a insatisfação de usuários da saúde pública em todo o Estado. O estudo revelou que o atributo com índices mais baixos é o atendimento ágil/imediato, o pior também detectado pelo levantamento do acadêmico. Karina Kucharski, presidente da Fundação Municipal de Saúde de Santa Rosa, concorda que esse item seja um fator preocupante, devido à grande procura, mas garante que a estrutura de equipamentos nas unidades locais é referência no Estado. Sobre a demanda, ela destaca que pessoas que nunca usavam o serviço de saúde pública passaram a usar.
O segmento de atenção básica gratuita no município realiza duas consultas por habitante ao ano. Karina diz que quer apresentar os dados aos coordenadores das unidades, como forma de qualificar os serviços. Segundo ela, novas unidades estão sendo ampliadas e construídas para amenizar o excesso da demanda.